| Written by Agnelo Quelhas,
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Aquela que considero uma das melhores maratonas a nível Nacional subiu este ano mais alguns degraus na escadaria do sucesso e da excelência. A organização da Maratona Internacional Idanha-a-Nova - Zarza la Mayor demonstrou mais uma vez como se faz, principalmente no que diz respeito à escolha e traçado do percurso. Muito bom!
De facto, na minha opinião, e claro está, falando comparativamente a outras maratonas, esta prova em termos de percurso bate aos pontos tudo aquilo que conheço. No total somei de cabeça cerca de 20 kms de single tracks que fizeram as delícias dos participantes, até porque mais de metade desta distância era feita ao lado do rio Erges, em pleno Parque Natural do Tejo Internacional, uma zona do mais isolado e recôndito que existe no nosso país. Mas no meio de tantas centenas de gente também há os que só gostam de estradões e que se queixavam e bravejavam nas zonas mais técnicas.
A partida foi dada pelas 9 horas em Idanha-a-Nova, seguida de uma volta pela Vila que não agradou a todos. Depois foi a descida pela calçada romana até à Sra da Graça e aqui era dada a partida real, antes da ponte sobre o Ponsul. Dado o tiro de saída os "prós" arrancaram em bom ritmo e a malta que veio para curtir a paisagem lá foi avançando e carregando no botão do disparador, registando muitas centenas de fotos, como foi o meu caso.
Este ano o percurso tinha algumas diferenças, sendo a principal o facto de ser feito em sentido inverso ao dos anos anteriores. A primeira localidade até onde se rolou quase em plano, com ligeiras subidas foi a Zebreira, com um abastecimento composto por bebida fresca, laranjas e bananas a ser servido aqui, decorridos que estavam 20 kms de percurso.
Depois passava-se uma zona mais acidentada, com sobe-e-desce constante, antes de chegar a Segura, onde se descia em grande velocidade até ao rio, pelas ruas da localidade com os locais a bater palmas (sabe sempre bem). Junto ao rio estava um posto de controlo, e um ponto de água.
Aqui começavam os ditos single tracks, de configuração bastante variada, ora em terra batida tipo carreiros, ora em zonas de pedra xistosa e gasta pelo rio, ora em prados verdes e floridos, uma delícia. Foi pedalar e pedalar ao lado do rio, encher a barriga de boas vistas e de singles. A ajudar, o tempo sem vento proporcionou um espelho de àgua constante no Erges, como atestam as imagens.
Mais à frente (muito mais) começa-se a subir para Salvaterra do Extremo, por um estradão que é usado para ir até ao rio. Ao chegar perto da localidade entra-se numa calçada pouco técnica mas a subir. Nota-se que alguns já vão "curtos" de força, pelo uso do "22-34" a chamada "avózinha". À chegada ao bastecimento o reboliço do costume, com muita gente a ajudar e a assistir à passagem dos atletas e até as meninas da RED BULL a distribuir bebida isotónica.
Segue-se a famosa e perigosa calçada de Salvaterra. É uma descida de cerca de 1,5 kms sempre a "abanar", com zonas mesmo muito técnicas. O mais pequeno descuido leva à queda que pode ter graves consequências neste local. Por isso existia uma grupo de bombeiros sensivelmente a meio da calçada, na zona mais sinuosa e perigosa. Mais a baixo encontrei o Nuno Maia que parece estar a gostar mais da máquina fotográfica que da bike (eu tento conciliar as duas coisas o que não é nada fácil, já que andar com uma SLR digital de quase 2 kgs durante 100 duros kms tem que se lhe diga). Parei um pouco e tirei uma fotos à malta que passava, muitos iam delirantes com a calçada.
Continuei a descer até ao rio e segui o single que liga à ponte sobre o Erges, são mais 2 ou 3 kms de singles pelo meio de prados de erva, alta em alguns locais. Passava-se o na ponte que estava dividida em duas faixas, havendo malta que regressava já de Zarza. Depois de cruzar o rio e já em Espanha foram mais alguns kms de single tracks em ligeira subida até que se apanhava a estrada até Zarza onde estava o abastecimento mais completo do dia. Ice-Tea, Aquarius, água, bananas, laranjas, barras, bolos etc..., deu para recuperar forças e beber um aquarius para repor muitos dos sais minerais já perdidos com o esforço dispendido. Estavamos aqui com cerca de 55 kms. O regresso a Portugal fez-se de novo pela estrada, passagem da ponte e viragem à direita, entrando em estradões a subir em direcção a Toulões.
Passava-se junto à famosa ponte medieval que existe perto de Salvaterra e apanhavam-se de seguida mais alguns singles até se cruzar a estrada e começar a cheirar Toulões onde existia mais uma abastecimento de água, fruta e bolos. Depois foi pedalar e rolar em direcção a Alcafozes, localidade antecedida por uma das subidas mais duras do dia. Em Alcafozes mais um abastecimento com bebida isotónica, água fresca e fruta e lá se seguiu rumo a Idanha, com a calçada romana final na ideia. No fundo do descarregador da barragem mais um ponto de água, a subida algo dura e técnica e a descida com as mesmas características que nos leva até às proximidades de idanha. Entra-se então numa estreita estrada asfaltada com bastante inclinação e à chegada ao alto desce-se de novo até à Sra da Graça para enfrentar calçada romana e terminar mais uma Maratona Internacional Idanha - Zarza.
A única crítica que faço ao percurso é o facto de nos obrigarem a descer de novo para a Sra da Graça para subir de novo a calçada romana (um martírio para que já tem mais de 100 kms nas pernas). No alto da estreita estrada asfaltada existe um calçada de grande beleza que nos leva até ao alto de idanha, um percurso de igual beleza e que facilitaria a vida a mais de 70% dos participantes.
À chegada seguiu-se o banho quente e o almoço de porco no espeto e bebidas à descrição. Muito bom!
Depois foi a entrga de prémios e dissemos adeus a mais uma Maratona Internacional Idanha - Zarza.
Dou os parabéns à organização na pessoa do Carlos Magro que tem feito um esforço imenso para trazer milhares de pessoas até à paisagem esquecida da Raia Centro.
Dados da prova:
Distância: 104 kms
Velocidade Máxima: 61,8 kms/h
Velocidade Média: 16,3 Kms/h
Acumulado de subidas: 2095 metros
Tempo de deslocação: 6h:34m
Para o ano há mais e eu lá estarei, até já.
AQ
As fotos.......
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