Olá [NAME],
O verdadeiro Alentejo
A etapa 6 da Transportugal
GARMIN passou hoje por aquele envolvente paisagístico que todos
consideram o verdadeiro Alentejo. Desceu de Monsaraz para Albernoa por
terrenos praticamente planos, com pequenas subidas aqui e ali e com a
barragem do Alqueva a acompanhar os atletas nos primeiros quilómetros.

Hoje o único atleta presente
que não partiu foi o John Bullens. A etapa de ontem não lhe correu bem
e lutou muito para chegar ao final, perdendo muito tempo. Ele já tinha
sintomas de febre e na noite de ontem passou mal com febre alta.
Esperamos que já esteja melhor e que alinhe na partida amanhã.
Se o terreno não foi inimigo
dos atletas o mesmo não se pode dizer das condições meteorológicas que
se fizeram sentir hoje. Apesar de a chuva ter sido escassa, com
pequenas ameaças de aguaceiro a caírem aqui e ali, já o vento foi uma
verdadeira “cruz” para todos os que pedalaram hoje até Albernoa. Esta
condicionante já prevista ontem, fez com que se formassem vários grupos
de ciclistas, permitindo-lhes pedalar mais confortavelmente. No entanto
a formação de grupos dificultou bastante o trabalho dos controlados nos
CPs, já que se tornou difícil controlar todos os dorsais à passagem. A
Sandra Correia disse que até tinha que pedalar nas descidas e que por
vezes o vento lateral a empurrava para fora do percurso. O vento
frontal foi de tal forma forte que fez aumentar o tempo da etapa em 40
minutos relativamente ao ano anterior.

A etapa rolou no início pelas
margens da albufeira do Alqueva, um lago artificial construído muito
recentemente e que alterou por completo o estilo de vida e o clima por
estas bandas. Esta barragem marca de forma incisiva a paisagem,
transformando uma zona do país que antigamente estava votada à seca e à
quase aridez, numa zona fértil e cheia de vida.

Nos primeiros quilómetros os
atletas rolaram a grande velocidade, com muitas ligações em asfalto a
promoverem a formação de grupos para combaterem o vento frontal forte.
À passagem no primeiro CP existiam 2 grandes grupos, com 10 a 15
atletas e mais grupos pequenos ao longo de todo o pelotão da prova. A
passagem extra rápida dos atletas e consequente registo por parte dos
controladores tornou-se numa tarefa stressante, feita com a ajuda da
fotografia de passagem. Nesta prova acontece pouco este fenómeno dos
grupos grandes, já que os atletas participam individualmente vão
correndo a Transportugal GARMIN ao seu ritmo, já que a prova não se
presta a grandes pressas e ritmos acesos. No entanto no Alentejo por
vezes surgem estas situações.
A etapa terminou na zona de
Albenoa, junto ao hotel Vila Galé. A chegada foi feita em ritmo calmo
pelos dois atletas mais rápidos, entrando o juntos de braço dado numa
atitude de Fair Play. No entanto a vitória foi para o João Marinho que
ia ligeiramente à frente. Frans Claes foi segundo, e a revelação da
etapa, Tom Letsinger conseguiu a sua melhor classificação na
Transportugal Garmin, ao chegar 3º a cerca de 2 minutos dos primeiros.
Este atleta corre com uma bicicleta completamente rígida, que foi
fundamental para correr esta etapa plana. Ainda assim o Tom confessou
que foi um esforço épico conseguir aguentar a roda dos atletas da
frente durante tantos quilómetros. O 4º classificado foi o Mathew
Barton que circulou durante algum tempos com os primeiros, não
aguentando o ritmo e perdendo terreno relativamente ao grupo da frente.
O 5º classificado foi o Belga Dryes Leys que entrou junto com o
restante grupo e lutar pelas bonificações mas que conseguiu o primeiro
lugar no sprint.

A etapa de hoje, para além da
brilhante classificação do Tom Letsinger e da formação de grupos não
teve muitas outras histórias. À chegada à meta era notório o cansaço de
todos os atletas. Onze atletas acabaram por não concluir a etapa, uns
por cansaço outros por passarem fora de controlo. Foram trazidos para a
meta pelas carrinhas da organização. Muitos atletas andam em sofrimento
provocado por lesões de selim. A Cassie, uma das massagistas do Staff
tem resolvido os problemas de muitos com as 10 caixas de 5 compressas
que comprou em Castelo de Vide, sob olhar espantado dos farmacêuticos.
O hotel de hoje é um dos
melhores de toda a prova. O monte convertido em hotel está no meio de
nenhures, só se conseguindo ver quando estamos muito perto dele. É
também um dos hotéis mais formais da prova, onde a distribuição das
malas pelos quartos foi feita pelos empregados do hotel, que queriam
colocar as malas nos quartos apenas quando os atletas chegassem.
Mudaram de ideias quando viram a quantidade de malas a distribuir.

Hoje foi o Matthew Barton a partilhar a sua etapa connosco…
"Hoje pedalei 140 kms
atavés de Portugal, para todos os efeitos é muito bonito, mas se me
pedissem para descrever o cenário de hoje estaria limitado a: pisos
arenosos, algumas árvores, algumas subidas, bastante vento, e é tudo!
A razão para a minha falta
de dados sobre a etapa é que algumas vezes estamos no local certo à
hora certa. Hoje foi esse dia para mim e para o Tom Letsinger, quando
cerca do Km 30 atacámos um grupo grande onde seguíamos, conseguindo
fugir durante 30 kms até sermos apanhados pelo João e pelo Frans.
Pensávamos que tinha sido duro até ali, mas endureceu ainda mais quando
tentámos seguir na roda dos dois atletas mais rápidos em prova. O Tom
aguentou até 10 kms do final enquanto eu quebrei a 40 kms da meta. A
partir deste momento ficou ainda mais duro pedalar, já que tinha que
mover as pernas contra um vento frontal, conseguindo manter a 4ª
posição até ao final, o meu melhor resultado na prova mais dura que já
corri. Tenho as pernas doridas e amanhã vou fazer a etapa lentamente
mas quando os planetas se alinham temos que tentar a nossa sorte."
A etapa 7 da Transportugal
GARMIN liga Albernoa a Monchique. Esta etapa marca a entrada no Algarve
e a passagem pelos contrafortes da serra algarvia, com os seus 133 Kms
e os 3048 metros de acumulado de subidas. Ainda assim as dificuldades
estão colocadas no final da etapa, tendo esta uma parte inicial
bastante parecida com as duas anteriores.
Para muitos atletas vai ser
uma etapa de dureza extrema, marcada pelas subidas íngremes e
pedregosas da serra do Espinhaço de Cão e pelas rampas inclinadas da
serra de Monchique.
Obrigado por nos acompanhar!
A equipa Transportugal Garmin
Galeria de fotos
Classificação da etapa 6
Classificação geral após a etapa 6