111 Kms e 2658 metros de acumulado de subidas
A etapa de hoje antevia-se
dura, com o calor a aumentar de dia para dia, sendo que hoje se entrava
na zona da raia centro, conhecida por ser um autêntico forno no verão,
e com uma humidade relativa do ar muito baixa. Como se costuma dizer, o
verdadeiro calor de “cortar a respiração”.
A passagem pela Malcata é
sempre um momento alto da Transportugal. Hoje não foi excepção! Houve
muita gente a ter problemas na Malcata, que foram desde os furos e
avarias mecânicas, até às quedas violentas do Pedro Pinheiro que teve
de abandonar com a clavícula partida e do João Marques que ficou muito
maltratado, cheio de arranhões e hematomas. O Pedro Pinheiro teve que
ser socorrido no meio da Malcata, o que obrigou a organização a um
esforço extra, já que este se encontrava a 10 kms da estrada.
A Malcata tem a sua dureza mas
é de uma beleza sem igual. O leve serpentear dos montes e a vegetação
baixa fazem deste um local único no nosso país, conhecida por ser o
último habitat do Lince Ibérico em Portugal, um animal esquivo e
raramente visto, mas que é o “emblema” desta reserva. O piso agreste
dos estradões desta serra fazem as bicicletas progredir com dificuldade
nas descidas rápidas e mas subídas íngremes. É um piso xistoso e e
solto, agressivo para os pneus e que dificulta a condução nas zonas
mais rápidas.
Hoje os atletas passavam ainda
pelas aldeias históricas de Monsanto e Idanha-a-Velha, dois locias
emblemáticos da nossa história antiga, aquando do domínio dos Romanos
por estas paragens, restando ainda muitos vestígios do seu dominio,
como as calçadas romanas em que todos tiveram que passar.
A chegada ao Hotel Idanha
Natura foi moldada pelo calor e pelas planuras das proximidades deste
empreendimento. O habitual lanche esperava os atletas, ao qual havia a
acrecentar a frescura da piscina do hotel.
Hoje foi um dia mau para
muitos, como já foi referido. Para o Frans Claes foi também um dia
negro. O atleta Belga sofreu um furo na zona do Ramilo, o que o fez
perder cerca de 10 minutos no final da etapa, permitindo ao João
vencer com superioridade. De notar que após o furo o atleta Belga veio
sempre em perda, reflexo do calor e da eventual má hidratação. Na
classificação geral o João Marinho passou para a frente com uma
vantagem confortável.
O resto do grupo foi chegando
ao Ladoeiro de forma progressiva com o o Ricardo Melo a fazer 3º,
americano John Bullens 4º, o e o Luís Guerreiro a ter um excelente dia
e a fazer 5º. Devido ao sistema de bonificações o Belga perdeu ainda
mais tempo para o português, já que Marinho venceu o troço cronometrado
e o Belga foi apenas 3º. Feitas as contas, dos 3 minutos de desvantagem
ontem, o João Marinho passa a ter 11:22 de vantagem sobre Claes.
A etapa de amanhã liga
Ladoeiro a Castelo de Vide, numa extensão de 102 kms e 2211 metros de
acumulado de subidas. Marca a entrada no Alentejo, e a passagem para o
sul do país. No entanto isto não irá garantir planícies e pisos
rolantes o tempo todo. Desde a passagem em Vila Velha de Ródão os
atletas estarão em constante subida suave até ao final da etapa, que
será marcado pela entrada em Castelo de Vide pela Calçada Medieval e
Muralha antiga.
Mais uma vez temos o relato dos atletas a acompanhar a newsletter.
Comentário do João Marinho à etapa 3
O inferno desceu à terra.
Eu que já tenho alguma
experiencia nestas andanças nunca sofri tanto com o calor como hoje. A
etapa que ligou Alfaiates a Ladoeiro, atravessando um dos pontos mais
isolados do país – A Serra da Malcata foi um verdadeiro teste à
resistência física e mental dos atletas. Com temperaturas superiores a
35 graus, subidas que obrigam a usar a mãe da avozinha e pedra, pedra,
pedra foram alguns ‘’condimentos’’ da etapa. Numa etapa com estas
características usar a cabeça é fundamental para evitar quedas e
avarias. Há que usar os trunfos que temos, e a minha experiencia das
duas últimas edições foi fundamental para a vitória de hoje.
Obrigado por nos acompanhar!
A equipa Transportugal GARMIN
Classificação Etapa 3
Classificação geral após Etapa 3